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Educação e o imediatismo no Brasil

“Sem informação a formação é na rua, verdade nua e crua se reflete nos moleques que na faixa de sete já tem um cacetete e com razão, veja o caso do João: sem bicicleta ou video-game, muita fome, o pai que rouba, a mãe que some e ele não sabe pra onde; vai à escola pra comer, sem direito a lazer; estudar ele não gosta, escola é uma bosta, cadeira quebrada, parede pixada, professora desmotivada; já se espelha nos ‘ladrão’, nove milímitros HK, acha que isso vai mudar sua vida num instante, sonha ser um traficante, assaltante, qualquer coisa desse tipo; saúde e educação no Brasil é só pra rico…”

Investir em educação: uma saída para acabar com a violência Foto: Cienpies Design http://www.cienpies.net

Investir em educação: uma saída para acabar com a violência Foto: Cienpies Design http://www.cienpies.net

O que você acabou de ler acima é um trecho da música Crime do Raciocínio composta pelo grupo de rap Faces da Morte em 2000. O álbum cujo nome é o mesmo da faixa acima citada, traz várias críticas ao modelo de governo implantado no Brasil à epoca, entretanto, passadas mais de uma década, os problemas alí apontados continuam à fazer parte da realidade brasileira.

É impressionante como a educação no Brasil se tornou secundária, enquanto que a diminuição da violência tem mais destaque nos principais noticiários pelo país. O sangue que se escorre na tela de TV ou do computador parecem ser mais importantes e valiosos do que a sabedoria dos professores que “dão o sangue”, literalmente, para melhorar o futuro do Brasil.

Eu estudei em escola estadual durante 10 anos (do EMEI à 8ª série) entre as décadas de 80 e 90. Não foram poucas as vezes em que tivemos “férias forçadas” devido à greve de professores do ensino público. Ainda criança, eu achava aquilo sensacional, pois não precisava ir à escola por quase 6 meses ao ano. Entretanto, eu tive a benção de ter nascido em um lar onde neus pais tiveram tempo e discernimento para me explicar o que aquilo significava e, mais importante, sempre reforçaram a relevância dos estudos para o meu futuro.

O problema é que nem todos tiveram (têm) a mesma sorte, e a realidade que vemos duas décadas mais tarde é estarrecedora. Em vez de arte, o crime se tornou uma forma de “fuga” para muitos jovens, e não somente das camadas mais pobres. Enquanto isso professores continuam sendo humilhados!

Esta semana saiu no UOL (e em vários outros jornais), a notícia de que professores de Juazeiro do Norte terão salários reduzidos em até 40%. É difícil de acreditar que isso seja verdade! E eu não me surpreenderia se a Polícia Militar descesse a borracha neles em caso de protestos pelas ruas de Juazeiro. E mais ainda, não me surpreenderia se a população os chamassem de vagabundos.

Em contra-partida o que se vê é uma grande parcela da sociedade brasileira apoiando a diminuição da maioridade penal. Ora, essa é uma maneira mais fácil e rápida de se resolver a situação, certo? Bem, eu não acredito que algum criminoso no Brasil tenha medo da justiça, de ir em cana, de pagar pelos seus atos e, portanto, dificilmente algo mudará! Mas, uma canetada dessas renderá muito mais votos do que o longo e árduo trabalho de educar o povo brasileiro; trabalho que deveria começar com a destinação de salários decentes aos professores e educadores, mas que infelizmente estes são tratados como número no relatório que governantes recebem de seus ricos assistentes.

O imediatismo no Brasil está acabando com o país, e isso não é de hoje. Há quem diga que a Ditadura Militar era um plano de transição, mas que ficou por 20 anos. Os planos de combate à inflação nas décadas de 80 e meados de 90 também tentavam milagres do dia para a noite, as privatizações no fim do século passado procuravam a todo custo resolver o problema de dívidas do governo, enquanto que as “bolsas” atuais têm como objetivo erradicar a miséria no país.

Até quando esse imediatismo continuará no Brasil? Quando que os governantes e a própria sociedade verão que educação é a chave para o desenvolvimento? Investir em educação é difícil, pois requer muito dinheiro para um retorno a longo prazo, mas viver de idéias recicláveis quando se trata de ser humano é no mínimo uma falta de respeito!

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This entry was posted on June 11, 2013 by in Geral, Português and tagged , .
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